Dia 6: Imagens e fatos da nossa memória, uma reflexão necessária.

Pixabay

Quando olho para trás num momento qualquer da vida, após muitos anos, eu me proponho a seguinte indagação: quem imaginaria que certas decisões tomadas mudariam completamente o curso da nossa história e iniciariam uma mudança de mentalidade que nos traria até aqui?

Quando nesse espaço de tempo, escrevo estas linhas e, com o olhar fixo, miro uma fotografia 3×4 que resgata resquícios de uma adolescência intensa e de muitas descobertas na efervescente e boêmia atmosfera carioca.

O ano era 1980 e a proximidade dos deveres com o serviço militar começava a escrever um novo e inusitado capítulo em minha vida.

Mesmo podendo preterir essa obrigação, fui voluntário, então procurei um fotógrafo lambe-lambe, que eram comuns nas praças naquela época, com sua indumentária característica: paletó, chapéu newsboy cap, calça de tergal e sapatos.

E lá vamos nós para a sessão de fotos. A preparação nos faz pensar, por um instante, que estamos num estúdio fotográfico ao ar livre para a montagem de um book.

A julgar pela movimentação de pessoas naquele dia na praça, típica manhã fria de junho, a sinergia dos transeuntes para chegar ao trabalho, para ao menos aconchegar-se mais calorosamente em mais um dia de trabalho devidamente aquecidos, contrasta com a minha disponibilidade bastante despretensiosa em apreciar o ambiente à minha volta, quase em câmera lenta, calmamente e sem hora marcada com quaisquer atividades posteriores.

Terminada a sessão de fotos, paguei, peguei-as e fui embora. O que é mais nostálgico quando comparamos um registro daquela época com um atual é notar a passagem do tempo, sempre implacável para qualquer pessoa.

Algumas, a depender dos hábitos de vida, aceleram o envelhecimento; outras, por diversos fatores, têm as linhas de expressão menos acentuadas, nas quais a ação do tempo parece não se aplicar.

“A vida é como uma câmera foque no que é importante, capture bons momentos, desenvolva a vida a partir dos negativos. E, se as coisas não derem certo, tire outra foto.”

Mensagens Culturamix

Naquele instante em diante, o caminho transcorreu normalmente até o início das atividades: aquartelamento, acampamento, sociabilização, baixa etc.

Um fato a ser mencionado é que a grande maioria daquelas pessoas você jamais encontrará novamente, mas ficou a lembrança das conversas hilárias, das confissões e sonhos compartilhados. Memórias que se eternizaram e é isto que importa no final das contas. 

A maioria das pessoas sempre afirma que gostaria de ter a experiência de hoje no passado; entretanto, quero crer que isto é utópico porque o que ocorreu antes moldou o que somos hoje. Assim, não dá para alterar o passado, mas aprender com ele, apenas aprender, sem ficar preso a ele de maneira melancólica e depressiva.

Capturamos certas imagens em nossa memória ocasionalmente, como as fotografias antigas, não somente para um momento de saudosismo, recordando boas e más situações, mas para refletir a respeito da nossa jornada, mensurando erros e acertos necessários, pois é assim que evoluímos, nos solidarizamos, trabalhamos em nossa marca pessoal e nos esforçamos para deixar um legado único, porém eterno, da nossa passagem neste plano.

Valeu, Matheus de Souza, pela provocação do desafio 21 dias de escrita!!!

#DesafioDoMatheus #escritacriativa

Deixe um comentário