
Caro amigo, há muito que ensaio uma conversa franca contigo, porque a estima é grande e, sinceramente, tenho me preocupado com você, uma pessoa distinta, cheia de sonhos e energia ilimitada que aspira ser um profundo conhecedor de tudo, sempre com o objetivo de ajudar alguém — muito nobre a sua atitude e repleta de valores e princípios. Entretanto, irei alertá-lo: a realidade é outra, com caminhos muito acidentados, e a direção é mais incerta do que você imagina.
Vamos lá, sem mais delongas, de volta para o passado, nos idos de 90, quando um jovem que acabara de chegar a uma terra desconhecida para trabalhar, após uma transferência de empresa, ainda com o sonho do futebol latente em sua mente, mas ciente de que ficaria mais difícil daqui em diante.
Então você pensou, ponderou e resolveu concretizar o objetivo de ser pai, conheceu uma menina legal e foram se conhecendo e conhecendo-se, foram até casar-se e ter as duas belas e iluminadas crianças, embora sua clarividência em relação a elas já havia se materializado muito tempo atrás em sua mente.
Estes acontecimentos são únicos em nossa vida e me fazem acreditar ainda mais na humanidade. Cara, que alegria ver seu semblante quando você primeiro recebeu a notícia do nascimento da sua primogênita e depois o encontro que ficaria marcado para sempre em sua história, onde quer que ela fosse declamada.
Anos se passaram e o seu amadurecimento parecia não chegar da forma que você havia idealizado, pôxa! Não era para ser assim, mas vamos em frente!

Entre indecisões e erros sem explicações, você foi seguindo até chegar ao mundo, a outra herdeira. E toma felicidade nisso para vocês e mais mudanças na relação, porém, você ainda não estava pronto.
Sim, você tentou bastante, talvez precise buscar ajuda, mudar de fato, mas não o fez; sempre podia resolver tudo, não é mesmo? Talvez tenha resolvido mais problemas alheios e se esquecido de priorizar a pessoa mais importante, você! Não, não é egoísmo. Acho que hoje, depois de inúmeros revezes, você aprendeu a lição.
Você vivenciou mais momentos bons do que ruins; contudo, os “bad times” deixaram cicatrizes profundas que ecoam até hoje. No entanto, é imperativo deixar o passado no passado para que este sirva de reflexão e forneça sabedoria nos dias atuais.
Então, depois de percorrer as infovias da vida, acompanhar o crescimento e amadurecimento das suas meninas mesmo à distância e com encontros eventuais, você está aqui para confirmar estas linhas que resumem um pouco sua trajetória.
Existem muitas passagens curiosas e que valem capítulos a parte com mais densidade na retórica mas, por hora finalizamos.
Ah, antes de decretar o ponto final de maneira capital neste episódio, reservei-me o direito de aconselhá-lo a respeito de algumas coisas que o estudo do estoicismo me proporcionou. Apenas leia, pesquise, entenda o significado e reflita com clareza; são eles:
A Dicotomia do Controle — Ter uma vida equilibrada para saber diferenciar as coisas que estão ao seu controle do que não estão e sabedoria para distinguir ambas;
Amor Fati — Aceitar o mundo como ele é, não se preocupando com coisas fora do seu controle, pois viver é mudar;
Memento Mori — Aprender a contemplar nossa própria finitude; logo, devemos apreciar cada momento da vida de forma intensa;
Fuga Mundi — Um modo de se defender das ilusões e frustrações causadas pela vida em sociedade.
Valeu, Matheus de Souza, pela provocação do desafio 21 dias de escrita!!!
