Dia 10: Aventuras — quando a única coisa que resta é o azar inevitável.

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Para resumir, nada de ondas, garotas, paisagens selvagens; por outro lado, sobrava frustração e descontentamento, mas as lições são inevitáveis e, mesmo irritados, horas depois, quando finalmente conseguimos minimizar os perrengues e voltar vivos pelo menos, aprendemos a lição, que é planejar as coisas com muita antecedência, sobretudo a revisão do carro! Ao menos os “causos” serviram de consolo e dar risadas para compensar um final de semana catastrófico.

A noite se aproximava e a aventura ficou mais excitante quando percebemos que o “gás” tinha acabado e, resultado, ficamos na estrada com o carro fervendo, sem gasolina e os mantimentos terminando.

E lá vamos nós outra vez em nossa saga a lá “Indiana Jones” ajudar o pessoal local a remover o tronco da estrada e pacientemente e com o veículo em precárias condições, seguir viagem. A essa altura já pensávamos na volta segura e o objetivo era relegado a terceiro plano.

Após 1h30 de caminhada, a galera retornou com o pneu em condições. Trocamos o pneu e a viagem prosseguiu sob fortes chuvas torrenciais e muito vento, que quase fez estrago. O carango aguentou bem, mas, como todo azar é pouco para a plebe, um tronco de árvore caiu e obstruiu a estrada.

A essa altura, o que mais importava era consertar o pneu e chegar o mais perto possível do nosso destino, que tanto sonhamos registrar in loco.

É claro que alguém (sempre tem, felizmente) percebeu que bem antes passamos por uma oficina e, então, parte da trupe voltou para fazer a força nos pneus e tínhamos que andar rápido porque uma típica tempestade de verão se aproximava com cara de poucos amigos.

Decidiram aguardar a temperatura baixar e pôr água no radiador. De volta ao jogo, dirigimos mais alguns quilômetros e lá se foi o pneu traseiro direito. Para melhorar ainda mais a aventura, o estepe estava vazio e naquele ponto da estrada não avistávamos uma borracharia para fazer uma força. É, não havia Google Maps nem Waze naquela saudosa época.

Paramos no acostamento e os “mexânicos palpiteiros” começavam suas rodadas de adivinhações com suas bolas de cristal impecáveis; nesse meio tempo, conversa vai e conversa vem e nada.

Cabelos ao vento, rock n’ roll, sol e tempo a favor, só alegria parecia surreal até que… Na altura do Recreio dos Bandeirantes, a temperatura começa a subir, o ponteiro denunciava que algo estava errado.

Carro abastecido, mantimentos característicos para nos manter alimentados e lá vamos nós no velho e saudoso Fusquinha 74 hiperconservado e style, desfilava majestoso pelas ruas e avenidas e seguimos firmes para o destino ao som do Led Zeppelin e seu pesadíssimo álbum Presence.

Um belo dia de dezembro de 81, sol a pino, verãozão típico do Rio, 40˚ e a galera preparada para curtir uma viagem pela orla até Guaratiba, uma praia na zona oeste onde quebra um pico raro e místico. Esta é uma trip que vale a pena.

Valeu, Matheus de Souza, pela provocação do desafio 21 dias de escrita!!!

#DesafioDoMatheus #escritacriativa

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