
Há cinco décadas, eu estreei nos palcos da vida deste Brasil varonil e confesso, foi uma experiência superenriquecedora numa época muito distante dos bits e bytes, da utopia das redes sociais e da futurista e intangível AI (hoje nem tanto).
E lá vamos nós andando por aí depois de mais um dia encastelado nos bancos escolares e, pasmem, a educação naquela época era de qualidade, com mestres e mestras de admirar; o mais hilário é que seguíamos e admirávamos estas verdadeiras “celebridades e influencers”, sem precisar de métricas de vaidade como os caça-likes.
Comparações à parte, era legal ser você mesmo sem medo das críticas exacerbadas dos haters de plantão; eles existiam, mas a crítica era num tom diferente.
A infância empreendedora era divertida, vendia jornal e outras prestações de serviços para angariar uma grana, sabe como é, família que não dependia de CLT (hoje, vulgo empreendedor), o estímulo para literalmente se virar era a tônica do dia!
O futebol sempre foi meu objetivo e, de fato, quase cheguei lá. Mais tarde, descobri que não bastava talento apenas, havia outros ingredientes da receita que eu não dispunha, pena! Pelo menos eu insisti bastante, joguei muitos jogos e valeu tudo isso.
O mais importante foram as lições de sociabilidade e trabalho em equipe que sedimentaram uma base sólida em minha jornada póstuma.
A imaginação é para o futuro o que a memória é para o passado.
Hermes Fernandes
Vamos de alguns acordes agora; notem que ainda estamos trilhando a senda da juventude, iniciando a fase adulta. Ah! Nessa época, já escrevia com um certo destaque, mas desconhecia a importância e o poder deste ato e lá se foram muitas páginas de caderno + um punhado de lápis.
Voltando à máquina do tempo, a virtuose das bandas adolescentes sonhando em ser o próximo Jimi Hendrix ou Jimmy Page nos mantinha unidos, num uníssono sonoro nos ensaios e chás das cinco, em que uma galera fiel inflamava a roda punk e era só nostalgia, tudo pela paixão incondicional à música.
Depois, os esportes radicais (surf, skate e outras loucuras), já integrando uma outra turma, misturando elite e descolados, sinalizavam para descobertas mais centradas em filosofar e trilhar seu próprio caminho; já estava na hora de deixar a fase lúdica e assumir certas responsabilidades que a vida adulta descortina e são necessárias para a continuidade do ser. Nesse caso, usei a dobra espacial para andar um pouco mais rápido!
Nesse meio tempo, o tênis, mesmo sendo bem elitizado e exclusivo, arrebatou-me e me transformou num jogador esforçado, mas contribuiu para eu ser um bom instrutor e, é da hora, diga-se de passagem!
Você aprende com os melhores da época, contemplando suas jogadas mágicas e seu virtuosismo. E haja troca de bolas embora, eu prefira mais agressividade e criatividade.
A educação, parte integrante e pedra filosofal dessa jornada é, e continuará sendo o propósito de tudo.
Atualmente ocupo um respeitado cargo de liderança em tecnologias emergentes e upload de consciência numa galáxia distante após a raça humana exaurir os recursos do planeta Terra, o que resultou numa guerra pós-apocalíptica sem precedentes e, hoje, após 200 anos de existência (não disse a vocês? Tenho sangue vulcano, não sabiam?), continuo firme e forte com meu bordão preferido: Vamos em frente!!! E pra aquele que provar que eu tô mentindo, eu tiro o meu chapéu!
Valeu, Matheus de Souza, pela provocação do desafio 21 dias de escrita!!!
