
Ciência em sua busca incessante por respostas aos mais variados dilemas, ora criando soluções, ora desconstruindo teorias que antes eram verdades absolutas, como um sonho que termina quando acordamos e por falar em sonho, faremos um adendo e entraremos de forma onírica na psicanálise para ajudar a desvendar uma passagem enigmática a que fui submetido quando encontrava-me sob o domínio de morfeu.
O apagar das luzes às 21h35 num pequeno quarto num loft em Baden-Baden, na Alemanha, numa noite enluarada e fria em setembro de 1968, não foi suficiente para me fazer adormecer, isto porque o ruído dos carros que transitavam incessantemente na rua movimentada dificultava o sono e criava um turbilhão de pensamentos dos quais eu não conseguia me desvencilhar.
Aos poucos, com o passar do tempo, o barulho foi diminuindo e, finalmente, adormeci. Até que, subitamente, já me encontrava caminhando numa senda orvalhada e íngreme, provavelmente na Floresta Negra, para onde viajei, no intuito de conhecê-la e vivenciar suas misteriosas belezas seculares.
A caminhada solitária e contemplativa era interrompida vez por outra por ruídos de algum animal. Ao olhar para o lado na direção do ruído, avistei uma raposa, mas continuei a caminhar e, sem perceber, tropecei e caí numa fenda não muito larga, mas profunda, o que dificultou um pouco a escalada de volta. Felizmente não me machuquei.
Quando estava saindo daquele umbral, notei que o céu tinha uma coloração alaranjada e lúgubre, as rochas flutuavam e não havia mais árvores, animais e quaisquer sinais de vida selvagem; demorei para perceber, mas havia passado para uma dimensão paralela, onde a relatividade do tempo, ao que parece, não se aplicava naquele universo ou seja lá onde eu estava.
Curiosamente, mantive a calma e lucidez, procurando contemplar o lugar em todas as direções. Uma das coisas que me ocorreram era: será que interpreto um personagem de LOST? Agora só faltava aparecer alguém escondido nas sombras!
Procurei uma referência para descobrir o Norte, mas nada ajudava. De repente, um tremor sacudiu toda a planície e fissuras começaram a aparecer por todos os lados, exalando um odor sufocante; tentei correr o mais rápido que podia, mas a magnitude dos tremores dificultava o equilíbrio. Então, fui arremessado contra uma duna e ali permaneci desacordado por alguns instantes.
Ao acordar, percebi uma leveza estranha do meu corpo; quando me dei conta, estava, de alguma forma, flutuando e continuava a flutuar cada vez mais alto até que comecei a cair em queda livre.
Durante a queda mística, vislumbrei algumas entidades angelicais travando uma luta espiritual contra espíritos malignos. Pensei: se irei passar desta para melhor, pelo menos aproveitei a jornada; só senti falta da câmera para poder registrar os momentos surreais.
O dia virou noite e o sol foi para o além e num piscar de olhos, acordei sem entender, é claro, o que havia acontecido, notei que estava em meu quarto novamente.
Encostei-me na cabeceira da cama e tentei mapear alguma coisa lógica de fato. Provavelmente jamais entenderei o que eu estava fazendo ali. Quais eram os significados dos sinais e acontecimentos? Qual a ligação quase real e apocalíptica comigo?
A parte mais perturbadora dos sonhos é essa, a subjetividade inerente à interpretação individual… É, deixa pra lá… Talvez Freud explique!
Valeu, Matheus de Souza, pela provocação do desafio 21 dias de escrita!!!

