“Será a perseverança, meu real valor?”
Valeu, Matheus de Souza, pela provocação do desafio 21 dias de escrita!!!
#DesafioDoMatheus #escritacriativa
Mês: dezembro 2021
Dia 4: Uma linha tênue entre a queda e a ressurreição

Ciência em sua busca incessante por respostas aos mais variados dilemas, ora criando soluções, ora desconstruindo teorias que antes eram verdades absolutas, como um sonho que termina quando acordamos e por falar em sonho, faremos um adendo e entraremos de forma onírica na psicanálise para ajudar a desvendar uma passagem enigmática a que fui submetido quando encontrava-me sob o domínio de morfeu.
O apagar das luzes às 21h35 num pequeno quarto num loft em Baden-Baden, na Alemanha, numa noite enluarada e fria em setembro de 1968, não foi suficiente para me fazer adormecer, isto porque o ruído dos carros que transitavam incessantemente na rua movimentada dificultava o sono e criava um turbilhão de pensamentos dos quais eu não conseguia me desvencilhar.
Aos poucos, com o passar do tempo, o barulho foi diminuindo e, finalmente, adormeci. Até que, subitamente, já me encontrava caminhando numa senda orvalhada e íngreme, provavelmente na Floresta Negra, para onde viajei, no intuito de conhecê-la e vivenciar suas misteriosas belezas seculares.
A caminhada solitária e contemplativa era interrompida vez por outra por ruídos de algum animal. Ao olhar para o lado na direção do ruído, avistei uma raposa, mas continuei a caminhar e, sem perceber, tropecei e caí numa fenda não muito larga, mas profunda, o que dificultou um pouco a escalada de volta. Felizmente não me machuquei.
Quando estava saindo daquele umbral, notei que o céu tinha uma coloração alaranjada e lúgubre, as rochas flutuavam e não havia mais árvores, animais e quaisquer sinais de vida selvagem; demorei para perceber, mas havia passado para uma dimensão paralela, onde a relatividade do tempo, ao que parece, não se aplicava naquele universo ou seja lá onde eu estava.
Curiosamente, mantive a calma e lucidez, procurando contemplar o lugar em todas as direções. Uma das coisas que me ocorreram era: será que interpreto um personagem de LOST? Agora só faltava aparecer alguém escondido nas sombras!
Procurei uma referência para descobrir o Norte, mas nada ajudava. De repente, um tremor sacudiu toda a planície e fissuras começaram a aparecer por todos os lados, exalando um odor sufocante; tentei correr o mais rápido que podia, mas a magnitude dos tremores dificultava o equilíbrio. Então, fui arremessado contra uma duna e ali permaneci desacordado por alguns instantes.
Ao acordar, percebi uma leveza estranha do meu corpo; quando me dei conta, estava, de alguma forma, flutuando e continuava a flutuar cada vez mais alto até que comecei a cair em queda livre.
Durante a queda mística, vislumbrei algumas entidades angelicais travando uma luta espiritual contra espíritos malignos. Pensei: se irei passar desta para melhor, pelo menos aproveitei a jornada; só senti falta da câmera para poder registrar os momentos surreais.
O dia virou noite e o sol foi para o além e num piscar de olhos, acordei sem entender, é claro, o que havia acontecido, notei que estava em meu quarto novamente.
Encostei-me na cabeceira da cama e tentei mapear alguma coisa lógica de fato. Provavelmente jamais entenderei o que eu estava fazendo ali. Quais eram os significados dos sinais e acontecimentos? Qual a ligação quase real e apocalíptica comigo?
A parte mais perturbadora dos sonhos é essa, a subjetividade inerente à interpretação individual… É, deixa pra lá… Talvez Freud explique!
Valeu, Matheus de Souza, pela provocação do desafio 21 dias de escrita!!!
Dia 3: Ser um polímata — utopia ou realidade?

O que é um polímata? Esse será o tema que irei explanar, após receber um convite irrecusável do famoso Museu das Obsessões, um lugar com uma atmosfera misteriosa e paredes repletas de ideogramas e enigmas. Então, vamos lá:
Uma pergunta que me intrigava na infância, mesmo sem entender o suficiente para argumentar com profundidade, era: o que devemos saber para nossa vida ter significado? As respostas podem surgir das mais variadas direções e motivos inusitados.
Era uma dúvida recorrente até que eu ouvi uma palavra que despertou uma intensa curiosidade e aguçou meu interesse em seu significado e complexidade: o polímata.
O entendimento e dimensão da pessoa que detém tais conhecimentos é fascinante e notável em face das inúmeras possibilidades de realizações que podem ser contempladas; evidentemente que o tempo finito de nossas vidas limita a aquisição de múltiplos saberes e, o mais importante, aplicar esse conhecimento com sabedoria para o benefício das pessoas.
Havendo intenção, propósito e prioridade, poderemos aprender qualquer coisa que nos dispusermos a fazer, uma vez que, mesmo possuindo um dom inato, ele por si não surtirá efeito caso não aplicarmos a prática deliberada na execução. Compreendido isso, partimos para a ação.
Durante anos procurei entender a teoria e praticar aquilo que me propusera a aprender e foram muitas coisas com que me identifiquei nessa jornada de descobertas e experimentações para desenvolver habilidades: esportes, música, literatura, idiomas, ocupações técnicas, tecnologia, relações interpessoais, vendas, filosofia, gastronomia e outras tentativas curiosas.
A jornada do saber é divertida e a cada página virada no afã de encontrar a resposta, o suspense aumenta e a ansiedade começa a se desenvolver sem que percebamos, contudo, o preço a ser pago quando a equação não é resolvida, é fatal a longo prazo porque, o tempo é um ativo que depois de desperdiçado, não poderemos mais recuperá-lo.
É claro que jamais tive a pretensão de ser um Da Vinci, Mário de Andrade, Ruy Barbosa e o Dr. Enéas Carneiro, citando alguns iluminados.
Gosto de saber, entretanto, tenho pleno entendimento das minhas limitações e encaro-as com muita humildade e naturalidade. Agradeço ao estoicismo por esta contribuição.
Algumas características que possuo e que se assemelham ao perfil polímata são: autossuficiência — identificação quase simbiótica com o lifelong learning — sou movido por um grande desejo de realização pessoal — gosto de ensinar. Essas qualidades também são combinadas com uma visão mais holística do mundo.
“O polímata não apenas transita entre diferentes esferas, campos ou disciplinas, mas busca conexões fundamentais entre esses campos, de forma a oferecer percepções únicas para cada um deles.”
Waqas Ahmed
Independentemente da genética ou não, o ambiente ao qual o indivíduo está inserido ajuda a moldar este perfil; em contrapartida, as escolas tradicionais acabam por tolher esse fascínio, mostrando-nos o caminho da especialização, que não deixa de ser uma escolha ruim, mas distancia-nos da mágica do questionamento e do método investigativo.
O mundo anseia por soluções criativas e diferentes possibilidades de implementações para problemas diversos e o polímata pode ter as respostas.
Até hoje não sei definir ao certo se foi obsessão que me impulsionou nessa direção, embora não me arrependa de nada do que foi construído.
Tenho algumas conquistas que valorizam a minha jornada, pois contribui sobremaneira ajudando a desmistificar crenças limitantes de algumas pessoas para que estas pudessem seguir seu caminho com mais certezas ao invés de dúvidas.
Assim como outras pessoas me ajudaram a chegar até aqui. Acredito que este é o sentido da vida, solidariedade sempre!
Valeu, Matheus de Souza, pela provocação do desafio 21 dias de escrita!!!
Dia 2: Muito além da imaginação

Há cinco décadas, eu estreei nos palcos da vida deste Brasil varonil e confesso, foi uma experiência superenriquecedora numa época muito distante dos bits e bytes, da utopia das redes sociais e da futurista e intangível AI (hoje nem tanto).
E lá vamos nós andando por aí depois de mais um dia encastelado nos bancos escolares e, pasmem, a educação naquela época era de qualidade, com mestres e mestras de admirar; o mais hilário é que seguíamos e admirávamos estas verdadeiras “celebridades e influencers”, sem precisar de métricas de vaidade como os caça-likes.
Comparações à parte, era legal ser você mesmo sem medo das críticas exacerbadas dos haters de plantão; eles existiam, mas a crítica era num tom diferente.
A infância empreendedora era divertida, vendia jornal e outras prestações de serviços para angariar uma grana, sabe como é, família que não dependia de CLT (hoje, vulgo empreendedor), o estímulo para literalmente se virar era a tônica do dia!
O futebol sempre foi meu objetivo e, de fato, quase cheguei lá. Mais tarde, descobri que não bastava talento apenas, havia outros ingredientes da receita que eu não dispunha, pena! Pelo menos eu insisti bastante, joguei muitos jogos e valeu tudo isso.
O mais importante foram as lições de sociabilidade e trabalho em equipe que sedimentaram uma base sólida em minha jornada póstuma.
A imaginação é para o futuro o que a memória é para o passado.
Hermes Fernandes
Vamos de alguns acordes agora; notem que ainda estamos trilhando a senda da juventude, iniciando a fase adulta. Ah! Nessa época, já escrevia com um certo destaque, mas desconhecia a importância e o poder deste ato e lá se foram muitas páginas de caderno + um punhado de lápis.
Voltando à máquina do tempo, a virtuose das bandas adolescentes sonhando em ser o próximo Jimi Hendrix ou Jimmy Page nos mantinha unidos, num uníssono sonoro nos ensaios e chás das cinco, em que uma galera fiel inflamava a roda punk e era só nostalgia, tudo pela paixão incondicional à música.
Depois, os esportes radicais (surf, skate e outras loucuras), já integrando uma outra turma, misturando elite e descolados, sinalizavam para descobertas mais centradas em filosofar e trilhar seu próprio caminho; já estava na hora de deixar a fase lúdica e assumir certas responsabilidades que a vida adulta descortina e são necessárias para a continuidade do ser. Nesse caso, usei a dobra espacial para andar um pouco mais rápido!
Nesse meio tempo, o tênis, mesmo sendo bem elitizado e exclusivo, arrebatou-me e me transformou num jogador esforçado, mas contribuiu para eu ser um bom instrutor e, é da hora, diga-se de passagem!
Você aprende com os melhores da época, contemplando suas jogadas mágicas e seu virtuosismo. E haja troca de bolas embora, eu prefira mais agressividade e criatividade.
A educação, parte integrante e pedra filosofal dessa jornada é, e continuará sendo o propósito de tudo.
Atualmente ocupo um respeitado cargo de liderança em tecnologias emergentes e upload de consciência numa galáxia distante após a raça humana exaurir os recursos do planeta Terra, o que resultou numa guerra pós-apocalíptica sem precedentes e, hoje, após 200 anos de existência (não disse a vocês? Tenho sangue vulcano, não sabiam?), continuo firme e forte com meu bordão preferido: Vamos em frente!!! E pra aquele que provar que eu tô mentindo, eu tiro o meu chapéu!
Valeu, Matheus de Souza, pela provocação do desafio 21 dias de escrita!!!
Dia 1: Por que eu escrevo, incentivo a escrita e continuarei a escrever?

Uma coisa que decididamente podemos afirmar é que a vida não é linear e, a cada curva sinuosa que nos deparamos em nossa breve jornada neste plano, aprendemos e vivenciamos diversas coisas, não é mesmo?
Contudo, nada se compara à magia e ao encanto da escrita; para muitos, uma barreira intransponível, enquanto outros têm a ousadia de transformar imaginação em arte, seja no papel, grafite, digital ou qualquer superfície onde as palavras façam sentido e cativem a atenção das pessoas.
Tudo bem, mesmo que seja somente uma, já seria um grande diferencial; entretanto, melhor seria se a semente germinasse e um novo escritor/leitor propagasse, onde fosse, sua arte preconizada num trajeto sem fim, mas com o objetivo de traduzir os seus pensamentos, tornando-os reais por meio da arte da escrita à mão.
“Procura o que escrever, não como escrever.”
Sêneca
A própria história milenar da humanidade, ora contada em prosa e verso, ora descrita em ilustrações e simbologias, revela um ponto de convergência comum: alguém, em algum momento, foi um escritor protagonista e registrou fatos que eternizaram e, de alguma forma, influenciaram outros a criar este hábito saudável e inebriante.
As mudanças impostas pelo advento da tecnologia, que moldou a maneira como vivemos e nos relacionamos, vêm contribuindo para que a escrita assuma um papel de destaque; basta dar uma olhada nas redes sociais e constatar a miríade de dados gerados somente com texto, despertando inconscientemente o escritor(a) que existe em cada um de nós.
Salve a escrita!
Valeu, Matheus de Souza, pela provocação do desafio 21 dias de escrita!!!

